Dicas de Anestesia E-mail
Qua, 31 de Agosto de 2011 13:36

Não há muitas maneiras dos pacientes avaliarem o sucesso técnico de um tratamento dentário, mas eles são extremamente críticos no que concerne a habilidade de controle da dor. A habilidade do dentista em oferecer a seus pacientes uma anestesia profunda traz consigo a reputação de cuidadoso, atencioso e, se nossos tratamentos consistentimente trouxerem ausência e alívio de dor, seremos amados e respeitados por nossos pacientes. Além disso a odontologia há anos vem prometendo ausência de dor. Já é hora de entregar.

Felizmente, existem algumas técnicas de anestesia capazes de adormecer os mais sensíveis dentes de modo que nossos procedimentos de alívio sejam eficientes e indolores. Existem três pontos a serem alcançados para se assegurar conforto aos pacientes: anestesia profunda, planejamento adequado e instruções corretas seguidas de boa medicação pós operatória. Aqui concentraremos em como se obter o efeito anestésico desejado.

Anestesia profunda

Não é sem razão o medo que os pacientes têm das terapias dentárias especialmente da endodôntia. Muitos de nós já ouvimos histórias de horror de amigos, parentes ou pacientes que resistiram a dores incríveis durante tratamentos dentários.

Como resultado dessa percepção negativa, os dentistas têm uma potencial oportunidade de estabelecer credibilidade e lealdade com seus pacientes. Isto pode simplesmente ser alcançado fazendo o compromisso com seus pacientes e consigo mesmo de jamais iniciar o procedimento sem total anestesia.

O uso do vasoconstritor devido sua eficiência e efeito duradouro tem sido uma escolha usual. A tendência atual de consultas maiores faz com que o uso de anestesia sem epinefrina seja menos desejável. As preocupações médicas relativas ao uso de vasoconstritores em anestesias locais têm sido relativizadas mesmo quando usadas em pacientes cardíacos.

Problemas de arritmias cardíacas (as quais podem ser controladas com medicação) relativos ao uso da epinefrina deveriam ser uma preocupação secundária. Ironicamente, usar um anestésico sem vasoconstritor pode ser,na mesma medida,arriscado a um paciente com problemas médicos, já que a experiência de dor causada por uma anestesia insuficiente pode resultar em quantidades relativamente grandes de epinefrina endógena lançada na corrente sanguinea pelas glândulas adrenais do paciente.

Anestésicos de longa duração como a marcaína são recomendados para procedimentos cirúrgicos onde os pacientes usualmente preferem uma ação mais duradoura possível. Para tratamentos convencionais onde os pacientes preferem um retorno as sensações normais em uma ou duas horas após o procedimento a lidocaína 1:100 ou 1:50 se encaixa perfeitamente.

Infiltrações para dentes maxilares e bloqueios para dentes mandibulares são as técnicas de escolha inicial. Entretanto muitos de nós já lidamos com molares inferiores que continuam mandando sinais ao snc, mesmo com um profundo bloqueio do nervo mandibular, devido a abundante inervação de nervos cervicais para estes dentes.

Técnicas e truques de anestesia

Para os casos de molares inferiores, a resposta é o uso de infiltrações linguais. O dogma de que a grossa cortical óssea mandibular é impenetrável para a infiltração de anestésicos locais é quebrado quando se sabe que os dentes posteriores são posicionados progressivamente próximos à superficie mandibular lingual, causando mesmo aos primeiros molares estarem ao alcance de infiltrações linguais. Por ser esse um procedimento tecnicamente sensível, deve ser executado da maneira a seguir:

1 - Uma agulha de calibre 30 é posicionada na gengiva aderida lingual, em ângulo oblíquo, adjacente ao dente a ser tratado.

2 - A penetração deve ser acima da linha mucogengival, mas abaixo do nível das fibras dento gengivais.

3 - O bizel deve estar voltado para o osso.

4 - Pressão firme é necessária para injetar a solução.

5 - A gengiva aderida vai tornar-se isquêmica e assim que a isquemia chegar ao tecido mucoso ele irá inflar-se à medida que meio tubete for injetado.

Esta tecnica é efetiva porque a gengiva aderida força a solução em direção subperióstea, um pré-requisito para a infiltração no osso mandibular.

Para dentes superiores a infiltração palatina é de grande valia. Use um palito de gelo por 15 a 30 segundos na região como anestésico tópico antes de penetrar no tecido palatino. Gaste seu tempo, 30 segundos tornam essa infiltração marcantemente indolor.

Trate definitivamente ou indique

Quando pacientes experimentam dores sem necessidade devido a cuidados inadequados, a relação doutor paciente sofre danos irreparáveis. Este resultado negativo pode ser evitado por um persistente esforço para ganhar total anestesia. Não possuir o tempo ou o treinamento para definitivamente resolver o problema do paciente requer a indicação do paciente em dor a quem pode previsivelmente oferecer o conforto que ele merece. Esse simples cuidado torna seu paciente agradecido e reforça sua relação de confiança.